Fonte: Expansión
Puebla consolidou-se como o principal foco do huachigás no México durante o primeiro trimestre do ano, ao concentrar mais da metade das ligações clandestinas de gás LP registradas no país, em um contexto em que esse delito mantém uma tendência de alta e continua representando riscos para a segurança pública, o abastecimento energético e as comunidades próximas aos dutos.
Entre janeiro e março, foram detectadas 157 perfurações ilegais em gasodutos do estado, o que equivale a uma ligação clandestina a cada 13 horas e 57 minutos, de acordo com dados do Observatório Cidadão IGAVIM.
O número representa um aumento de 35,3% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 116 ligações ilegais.
O Estado do México ocupou a segunda posição nacional, com 79 ligações clandestinas, um crescimento de 43,6% em relação às 55 registradas um ano antes. Em terceiro lugar ficou Veracruz, com 23 perfurações ilegais, 35,2% a mais que as 17 reportadas no primeiro trimestre do ano passado.
No total, o relatório do IGAVIM identifica a presença desse delito em 11 estados, embora a maior concentração permaneça em três deles.
“Puebla registrou o maior número de ligações clandestinas em dutos de gás LP durante esse período, concentrando 52,51% do total nacional, seguida pelo Estado do México e por Veracruz”, aponta o observatório em seu relatório.
O huachigás mantém tendência de alta
O chamado huachigás consiste na perfuração e extração ilegal de gás LP dos gasodutos para sua comercialização em um mercado ilícito. Além de representar perdas econômicas, a atividade implica alto risco de explosões, incêndios e intoxicações devido ao manuseio do combustível sem protocolos de segurança.
Em nível nacional, foram registradas 299 ligações clandestinas entre janeiro e março do ano, o que equivale a uma nova perfuração a cada sete horas e 19 minutos.
Por mês, os números mostram 96 ligações em janeiro, 91 em fevereiro e 112 em março, refletindo uma tendência ascendente durante o trimestre.
No entanto, o volume ainda permanece abaixo das 401 ligações clandestinas registradas durante o quarto trimestre de 2025, período em que esse delito atingiu um de seus níveis mais elevados.
“Embora esse delito apresente registros em apenas oito estados, é importante analisar os impactos acumulativos que gera nos crimes de alto impacto nos estados vizinhos, assim como o papel que desempenha para dar estabilidade às economias criminosas”, aponta o relatório do IGAVIM.
O duto Cactus-Tula-Guadalajara concentra o problema
Para Susana Cazorla, diretora e sócia fundadora da SICEnrgy, o fenômeno se concentra principalmente no gasoduto Cactus-Tula-Guadalajara, um dos sistemas de transporte de gás LP mais importantes do país.
A especialista explicou que as perfurações clandestinas provocam interrupções operacionais constantes devido à perda de pressão no duto.
“O duto sofre paralisações constantes porque em um dia detectam uma ligação clandestina em um trecho e, no dia seguinte, aparece outra em um ponto diferente. A perda de pressão obriga a interromper a operação por seções. É um problema permanente: as ligações clandestinas não desapareceram, simplesmente mudam de localização. Em algumas áreas diminuem, em outras aumentam, mas, em conjunto, o primeiro trimestre deste ano mostra um crescimento em relação ao mesmo período do ano passado”, afirmou em entrevista.
Explosões e evacuações refletem o risco
As ligações clandestinas não afetam apenas a infraestrutura energética, mas também representam um risco para as comunidades próximas.
Em 4 de junho, em Tepeaca, Puebla, explodiram quatro caminhões-tanque de gás LP em terrenos usados para armazenamento e transbordo ilegal do combustível, um incidente que colocou em risco mais de 2.000 pessoas.
Dias depois, em 10 de junho, a Pemex atendeu a um vazamento em um gasoduto do município de San Matías Tlalancaleca, também em Puebla, causado por uma ligação clandestina. O incidente obrigou a evacuação de 120 pessoas.
Diante desse tipo de evento, o Centro Nacional de Prevenção de Desastres (Cenapred) recomenda comunicar imediatamente qualquer sinal associado a um possível vazamento, como cheiro intenso de gás, assobios vindos dos dutos, nuvens geradas pela evaporação do combustível ou áreas com vegetação e fauna mortas.
O combate enfrenta limitações de segurança
Embora a Pemex disponha do sistema de monitoramento Scada, que detecta em tempo real mudanças de pressão e fluxo nos dutos, a resposta operacional enfrenta limitações pelas condições de segurança nas áreas onde atuam grupos criminosos.
Cazorla explicou que a vigilância é insuficiente diante de organizações criminosas dedicadas à extração ilegal de combustíveis.
“Os trabalhadores não podem enfrentar grupos do crime organizado nem arriscar a própria vida. Em outros casos, as autoridades chegam e encontram mulheres ou famílias, motivo pelo qual também não agem. Soma-se a isso o fato de que o monitoramento com drones e as atividades de vigilância da Pemex são insuficientes. É uma combinação de fatores que torna muito complexo combater o huachigás”, afirmou.
A especialista considerou que a combinação de vigilância tecnológica, operações de segurança e presença do crime organizado explica por que, apesar dos mecanismos de monitoramento existentes, as ligações clandestinas continuam registrando níveis elevados e se deslocam entre diferentes regiões do país.
Fonte: Expansión
