Os porta-contêineres e o gás liquefeito de petróleo (GLP) estão impulsionando a demanda no Canal do Panamá, que está aberto e opera plenamente, favorecido pelo nível ideal dos dois lagos artificiais que o abastecem com água doce, afirmou sua administração durante uma conversa virtual organizada pelo Bank of America Merrill Lynch.
“Em meio a todas as complicações geopolíticas que ocorrem no mundo, às mudanças e aos diversos fatores associados ao comércio internacional, o Canal do Panamá permanece aberto e confiável”, afirmou o administrador da via, Ricaurte Vásquez, de acordo com um comunicado oficial divulgado nesta quinta-feira.
Neste momento, acrescentou, os “níveis ideais” dos lagos Gatún (1913) e Alhajuela (1935) permitem que o Canal dê “espaço a um volume de tráfego cada vez maior”.
O Canal do Panamá, o único de água doce no mundo, registrou uma média diária de travessias de 34 navios em janeiro e 37 em março, com recentes dias de pico que “superaram os 40 trânsitos” em um único dia.
Isso ocorre em meio a um aumento dos trânsitos, que chegaram a 6.288, e da tonelagem, que atingiu 254 milhões, com altas de 3,7% e 5%, respectivamente, durante o primeiro semestre do ano fiscal de 2026 em relação ao mesmo período anterior, assim como uma maior demanda pelo uso de seu sistema de reservas, segundo dados da corporação.
“Há um forte desempenho proveniente dos contêineres e do gás liquefeito de petróleo. Os produtos energéticos estão adquirindo um papel importante nos volumes que estamos movimentando aqui no Canal do Panamá”, afirmou Vásquez.
As principais rotas atendidas pelo Canal
Entre as principais rotas estão a Costa Leste dos Estados Unidos–Ásia, a Costa Leste dos EUA–Costa Oeste da América do Sul e a Europa–Costa Oeste da América do Sul. Passa por ali todo tipo de carga, desde porta-contêineres, o segmento estrela do negócio, até navios refrigerados com frutas, além de graneleiros, gaseiros, petroleiros e navios porta-veículos.
Nesta quinta-feira há 111 navios aguardando para cruzar o Canal, 89 com reserva e 22 sem reserva. Na terça-feira passada havia 105 e 20, respectivamente, de acordo com os dados oficiais.
A alta da demanda não está gerando uma fila de navios para entrar na passagem navegável, pois a maioria reserva seu trânsito com antecedência, afirmou, por sua vez, o vice-presidente de Finanças da via navegável, Víctor Vial.
Além disso, o Canal oferece entre quatro e cinco vagas diárias por meio do sistema de leilão aos navios que chegam sem reserva, disse Vial. Esse mecanismo não afeta os navios com travessia programada antecipadamente nem altera a ordem de trânsito estabelecida.
A alta da demanda impacta os leilões: antes do conflito no Oriente Médio, o preço médio neles ficava entre 135.000 e 140.000 dólares, mas depois, entre março e este mês de abril, aumentou para 385.000 dólares, disse Vial.
Um navio de GLP pagou quatro milhões de dólares em um leilão por sua vaga, e dois navios-tanque Aframax pagaram três milhões cada um — casos isolados que refletem condições temporárias decorrentes do aumento da demanda.
