Fonte: Valora Analitik

A Associação Colombiana de GLP (Gasnova) rejeitou declarações do Grupo Vanti a respeito do gás liquefeito de petróleo (GLP). O presidente da entidade, Alejandro Martínez, afirmou que não existe nenhuma regulamentação que obrigue as empresas distribuidoras a destinar a oferta de GLP da Ecopetrol exclusivamente ao setor residencial.

“De fato, a oferta atual da Ecopetrol, com preços regulados, é suficiente para atender apenas metade da demanda das residências, percentual que continuará diminuindo drasticamente no próximo ano. O restante das necessidades é atendido com GLP importado. É lamentável que, diante dos desafios de abastecimento enfrentados pelo país, busque-se restringir a livre concorrência recorrendo ao regulador para proteger artificialmente o mercado de gás natural”, afirmou Martínez.

A organização assinalou que as declarações da Vanti não têm “fundamentação técnica”, uma vez que o abastecimento de gás, tanto no curto quanto no longo prazo, não está totalmente equacionado. Segundo afirmou, existem incertezas sobre as reservas provadas e sobre a incorporação de novo gás, tanto no território continental colombiano quanto nas águas do Mar do Caribe. Ao mesmo tempo, não há certeza absoluta sobre as curvas de produção, as taxas de declínio e a execução dos projetos de importação desse energético.

“Não é prudente transmitir ao país uma mensagem de tranquilidade no sentido de que o abastecimento de gás está assegurado durante o fenômeno El Niño, salvo contingências. Esse tipo de afirmação envia sinais equivocados que podem induzir a erros na tomada de decisões destinadas a garantir a segurança energética”, afirmou a organização.

A entidade também afirmou que o setor industrial tem enfrentado falta de fornecimento firme de gás e que essa situação, juntamente com a melhora da competitividade do GLP e os aumentos nos preços do gás, explica a decisão de parte do setor industrial de migrar para a utilização do GLP.

Em seguida, a organização enfatizou que é lamentável restringir a concorrência entre o GLP e o gás, “recorrendo à expectativa de que a CREG (Comissão de Regulação de Energia e Gás) edite regulamentações que a limitem ou a proíbam com o objetivo de proteger o mercado de gás natural”.

Adicionalmente, afirmou que existe um desequilíbrio entre os dois energéticos, mencionando que o gás opera sob condições de monopólio e conta com subsídios em toda a Colômbia, enquanto o GLP possui subsídios para os estratos 1 e 2 e opera em seis departamentos. Como exemplo, destacou que Chocó não tem acesso a subsídios para o consumo de GLP.

Ao mesmo tempo, fez referência aos investimentos realizados pelos distribuidores de GLP em infraestrutura portuária, no fortalecimento da logística de transporte rodoviário e também ferroviário, como o projeto-piloto Chiriguaná-La Dorada. Em razão desse planejamento logístico e financeiro, afirmou que o GLP possui capacidade para garantir o abastecimento.

A entidade estimou que, no início de 2027, mais de 70% do consumo de GLP na Colômbia será proveniente de importações, o que asseguraria o fornecimento e permitiria que este não dependesse de uma oferta decrescente dos campos de produção colombianos. Acrescentou que o GLP tem sido reconhecido como um combustível limpo e que se consolidou como um serviço para 12 milhões de pessoas em 98% do território colombiano.

“Em momentos de estresse energético, o país precisa recorrer a todas as suas fontes, diversificando a matriz para garantir a segurança do abastecimento. O gás natural e o GLP deveriam atuar em um cenário de colaboração e complementaridade para enfrentar os desafios de abastecimento”, afirmou Martínez.

Fonte: Valora Analitik