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Os Estados Unidos se consolidaram em maio como o principal fornecedor de gás natural liquefeito e gás liquefeito de petróleo para a Índia, depois que os embarques dos países do Golfo caíram devido a interrupções no tráfego pelo estreito de Ormuz.
A Índia importa 60% de seu gás natural liquefeito (GNL) e quase todo o seu suprimento de gás liquefeito de petróleo (GLP) por essa rota marítima crítica, que foi afetada desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã pela primeira vez em 28 de fevereiro.
Washington forneceu 630 mil toneladas de GLP à Índia em maio, cerca de 60% a mais do que as 380 mil toneladas que o país recebeu de todos os países do Golfo em conjunto, segundo dados da Kpler.
Os Estados Unidos exportaram 900 mil toneladas de GNL para a Índia em maio, o que representou mais de 40% da demanda total do país e significou um aumento de três vezes em relação a abril, informou a Kpler.
Especialistas afirmaram que o conflito no Oriente Médio impulsionou as exportações dos EUA, mas acrescentaram que o aumento também foi motivado pelo esforço mais amplo de Washington para vender mais energia norte-americana à Índia. Mesmo antes do início da guerra, os dois países já vinham aprofundando seu comércio de energia.
“Olhando para o futuro, o comércio de energia entre Índia e EUA se concentrará cada vez mais no gás”, disse à CNBC Sumit Ritolia, analista sênior de pesquisa da empresa de inteligência energética Kpler.
Os Estados Unidos, com seus “abundantes recursos de xisto e uma infraestrutura de exportação em expansão”, estão em posição única para se beneficiar da necessidade da Índia de diversificar seus suprimentos de gás, acrescentou.
EUA ganham participação de mercado
Os altos custos de frete impediram que os Estados Unidos conquistassem uma participação significativa no mercado de gás da Índia antes da guerra. Mas o isolamento em relação ao Golfo fez com que a Índia ficasse mais aberta às cargas de gás norte-americanas.
O fornecimento de GLP do Oriente Médio “superava de forma consistente as cargas norte-americanas em termos de custo posto no destino”, o que limitava a capacidade dos Estados Unidos de ganhar participação de mercado na Índia, disse à CNBC por e-mail Manish Sejwal, vice-presidente sênior de mercados de commodities, líquidos de gás natural/GLP e nafta, da Rystad Energy.
Sejwal acrescentou que, até o fim de junho, é provável que o fornecimento norte-americano de GLP à Índia ultrapasse a marca de 1 milhão de toneladas.
O GLP é usado principalmente como combustível para cozinhar na Índia. Seu fornecimento e preço são politicamente sensíveis, e as autoridades têm buscado proteger os consumidores domésticos do aumento dos preços globais.
Segundo um relatório publicado na quarta-feira pela corretora global Nomura, os Estados Unidos são “o maior beneficiário” da mudança da Índia em suas fontes de gás. O relatório indicou que as exportações de Washington para Nova Délhi haviam crescido oito vezes em relação aos níveis anteriores à guerra.
Bineet Banka, analista de pesquisa em renda variável para energia da Nomura na Índia, disse à CNBC que Washington quer que a Índia reduza seu superávit comercial com os Estados Unidos, “e maiores importações de energia podem ser a melhor maneira de fazer isso”.
Importar GNL dos Estados Unidos é mais caro do que importá-lo do Golfo, mas “a Índia não tem muitas opções”, acrescentou Banka.
Desde o início da guerra com o Irã, a moeda indiana se enfraqueceu frente ao dólar, em parte devido ao aumento da conta de importação de energia do país. A Índia é o terceiro maior importador mundial de petróleo bruto, o quarto maior importador de GNL e o segundo maior importador de GLP.
Fonte: CNBC
