Fonte: InfoBae
As reservas de GLP no Peru estão abaixo da exigência legal de quinze dias de autonomia, com uma média nacional que mal supera três dias. Enquanto isso, os preços seguem em trajetória de alta.
O Ministério de Energia e Minas (Minem) declarou de interesse crítico os projetos destinados à ampliação da capacidade de armazenamento de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) em todo o país, em resposta ao aumento da dependência externa, que historicamente representava 30% da demanda nacional e que, em 2026, já alcança 47%, segundo dados oficiais.
A Resolução Ministerial nº 310-2026-MINEM/DM, publicada em 26 de julho de 2026, destaca a urgência de fortalecer a infraestrutura de armazenamento e distribuição para garantir o abastecimento e a segurança energética do país.
Minem responde ao aumento das importações e à pressão sobre os preços
A resolução do Minem está fundamentada na Política Energética Nacional do Peru 2010-2040, que estabelece como objetivo assegurar o fornecimento pleno e contínuo de energia.
O documento oficial classifica o GLP como um combustível indispensável para residências e estabelecimentos comerciais e alerta para um déficit estrutural da produção nacional, que obriga o país a importar cerca de 47% da demanda, quando, há alguns anos, essa participação era de apenas 30%.
Sem novas esferas de armazenamento. A dependência externa do GLP no Peru aumentou de 30% para 47% da demanda nacional em 2026, segundo a resolução do Governo.
O ministério considera que qualquer projeto de ampliação da capacidade de armazenamento é estratégico, pois fortalece a cadeia de comercialização e reduz os riscos de desabastecimento.
O impacto direto sobre os preços ao consumidor
O aumento da dependência das importações já se refletiu em um forte impacto sobre os preços ao consumidor.
No início de 2026, o GLP automotivo apresentava preços médios mais baixos, com valores de referência em postos econômicos variando aproximadamente entre S/ 5,00 e S/ 7,00 por galão, ou cerca de S/ 1,80 por litro, embora os preços variassem conforme o distrito e os aumentos internacionais registrados no primeiro trimestre.
Em julho deste ano, o preço médio passou para cerca de S/ 8,28 por galão (ou aproximadamente S/ 2,19 por litro), dependendo do posto de abastecimento e da região consultada por meio do aplicativo Facilito, da Osinergmin.
Assim, o preço do GLP automotivo ao consumidor nos postos de Lima aumentou entre 18% e 66% em 2026, dependendo do preço praticado no início do ano e do ponto de venda.
O GLP utilizado em veículos é o mesmo empregado nas cozinhas. Dessa forma, a deficiência da infraestrutura acaba afetando toda a cadeia de abastecimento.
Reservas mínimas e déficit de infraestrutura
O déficit da capacidade de armazenamento de GLP é um problema crônico. A regulamentação exige reservas equivalentes a quinze dias de autonomia, porém a média nacional real mal supera três dias.
Entre as principais instalações destaca-se a planta de fracionamento de GLP de Pisco (Camisea), com capacidade superior a 70 mil toneladas métricas. Em Lima, os terminais da Solgas e da Zeta Gas possuem capacidades de 16.600 e 12.000 toneladas métricas, respectivamente, embora o crescimento da demanda já tenha ultrapassado a capacidade disponível.
Camisea. A demanda nacional de GLP cresceu 28,3% entre 2020 e 2025, enquanto a produção local caiu 13,8% até maio de 2026, ampliando o déficit de abastecimento no Peru.
Demanda em alta e queda da produção nacional
A demanda nacional de GLP aumentou 28,3% entre 2020 e 2025, passando de 55.636 para 71.419 barris por dia, segundo a Sociedade Peruana de Gás Liquefeito (SPGL). Até maio de 2026, a Osinergmin registrou um crescimento adicional de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Ao mesmo tempo, a produção nacional de líquidos de gás natural — principal matéria-prima para o GLP — mantém uma trajetória de queda. Até maio de 2026, a produção média diária foi de 64.164 barris, volume 13,8% inferior ao registrado em 2025.
Desde o pico histórico de 103 mil barris por dia, alcançado em 2014, a queda acumulada é de aproximadamente 24,4%. Esse déficit explica o forte aumento da dependência das importações, que já representam quase metade do abastecimento nacional.
Fonte: InfoBae
