Fonte: Iran International

As exportações iranianas de GLP despencaram desde que o bloqueio naval dos Estados Unidos começou, em meados de julho, obrigando Teerã a buscar usos domésticos para milhões de toneladas de propano e butano que normalmente seriam vendidos ao exterior.

Desde o início do bloqueio, o Irã embarcou apenas 4,1 milhões de barris de GLP, equivalentes a cerca de 350 mil toneladas, informou a Reuters, citando fontes a par do assunto e dados de transporte marítimo.

Dados da Kpler e da Vortexa obtidos pela Iran International mostram que o volume foi de cerca de 30 milhões de barris, ou 2,6 milhões de toneladas, no mesmo período do ano passado.

A Vortexa e a Kpler estimam que as exportações iranianas de GLP em 2025 ficaram entre 10,5 milhões e 11 milhões de toneladas, avaliadas em mais de US$ 5 bilhões.

Dados da Câmara de Comércio do Irã mostram exportações de 9 milhões de toneladas de propano e butano, no valor de US$ 4,35 bilhões, durante o ano fiscal iraniano encerrado em 20 de março de 2026.

Os números abrangem períodos diferentes e também podem refletir diferenças metodológicas, mas ambos mostram a dimensão das exportações iranianas de GLP antes da guerra.

Impacto da guerra

Um documento da Companhia Nacional Iraniana de Distribuição de Produtos Petrolíferos, obtido no ano passado pela Iran International, mostra que as refinarias de petróleo do país produziram cerca de 2,4 milhões de toneladas de GLP, metade das quais foi consumida internamente e o restante exportado.

As instalações de processamento de gás de South Pars, que atendem ao maior campo de gás do Irã, produziram cerca de 7 milhões de toneladas; o restante veio de outras instalações de gás e de plantas petroquímicas, principalmente em Assaluyeh e Mahshahr.

No total, o Irã produziu cerca de 13 milhões de toneladas de GLP no ano passado, das quais aproximadamente 80% foram exportadas. Em condições normais, a demanda interna é inferior a 2 milhões de toneladas por ano.

O Irã reduziu a produção de petróleo bruto desde a interrupção das exportações de petróleo. Segundo estimativas da OPEP, a produção diária caiu de cerca de 3,26 milhões de barris em 2025 para 1,96 milhão de barris em setembro, uma queda de aproximadamente 40%.

A guerra também afetou outras importantes fontes de GLP do Irã. Israel atacou unidades de processamento de gás em South Pars, bem como plantas petroquímicas em Assaluyeh e Mahshahr.

Autoridades iranianas afirmam que a perda inicial de 230 milhões de metros cúbicos na produção de gás de South Pars diminuiu desde então para cerca de 100 a 130 milhões de metros cúbicos, à medida que as unidades danificadas voltaram a operar.

O diretor da Companhia Nacional Petroquímica do Irã afirma que cerca de 60% das unidades petroquímicas danificadas também foram reconstruídas e voltaram a operar.

Com base nesses números, a produção iraniana de GLP pode ter caído cerca de 20% a 25% desde a guerra, levando a produção anual para aproximadamente 10 milhões de toneladas, nível comparável ao de 2020.

No entanto, a produção caiu muito menos do que as exportações, o que pode deixar o Irã com milhões de toneladas de GLP excedente.

Lições de 2020

O Irã enfrentou um problema semelhante, embora menos grave, no auge das sanções dos Estados Unidos, em 2020.

Dados da Kpler e da Vortexa mostram que as exportações de GLP naquele ano foram inferiores à metade do nível registrado no ano passado, enquanto estatísticas oficiais iranianas indicam que o consumo interno aumentou cerca de 2,5 vezes, para aproximadamente 5 milhões de toneladas, quase metade da produção.

Mesmo assim, o Irã continuou exportando GLP, com embarques de 4,4 milhões de toneladas em 2020 e 5,8 milhões de toneladas em 2021.

Com as exportações marítimas agora fortemente restringidas, Teerã poderia voltar a direcionar mais propano e butano ao uso doméstico, incluindo a injeção limitada na rede nacional de gás ou seu uso como combustível por indústrias e usinas elétricas equipadas para queimar GLP.

Isso poderia ajudar a aliviar a recorrente escassez de gás no Irã durante o inverno e reduzir a necessidade de queimar óleo combustível, ou mazute, em usinas elétricas e instalações industriais, uma importante fonte de poluição do ar.

Há limites para a quantidade de GLP que o Irã pode absorver internamente. A substituição depende de restrições técnicas, da infraestrutura disponível e da demanda doméstica.

Mesmo que parte do excedente possa ser redirecionada ao mercado interno, um bloqueio prolongado poderia privar o Irã de um comércio de exportação de GLP que, antes da guerra, rendia cerca de US$ 5 bilhões por ano, agravando a perda muito maior de receitas com as exportações de petróleo.

Fonte: Iran International