O aumento internacional impacta os custos de reposição e exige maior capital para manter os estoques. Da AIGLP, alertam sobre os riscos de intervir nos preços em meio a um choque global.
O mercado de GLP na América Latina enfrenta um novo fator de pressão externa que começa a se refletir na operação dos postos de serviço, especialmente aqueles que comercializam botijões ou integram esse produto em sua oferta energética.
A origem está fora da região. A situação no Oriente Médio, com foco no Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do comércio global de GLP, voltou a gerar pressão sobre os preços internacionais e sobre a logística de abastecimento. Cada sinal de risco nessa rota tende a se refletir nos custos de reposição.
Para os operadores, isso implica um desafio concreto: enfrentar aumentos no custo de compra em um momento em que os preços de venda nem sempre acompanham com a mesma rapidez.
Da Associação Ibero-Americana de GLP explicaram à Surtidores Latam que, diante de possíveis interrupções nessa zona, a demanda global costuma se direcionar aos Estados Unidos. Esse movimento, no entanto, não ocorre sem fricções: a disponibilidade de navios, a capacidade de carregamento nos terminais e as maiores distâncias logísticas podem pressionar os custos de frete. Soma-se a isso o aumento dos prêmios de seguro associado ao risco geopolítico.
O resultado é um aumento do custo do produto posto no destino. No elo dos postos, particularmente os de menor escala, esse fenômeno pode se refletir na dinâmica financeira diária.
No negócio de GLP em botijões, a reposição exige liquidez imediata, enquanto o giro depende da resposta da demanda e das condições do mercado interno. Nesse tipo de situação, o capital de giro necessário para manter níveis habituais de estoque pode aumentar em prazos curtos.
Referentes do setor indicaram que, quando os custos de reposição sobem de forma sustentada, a operação pode se tornar mais exigente. Repor produtos nessas condições pode implicar trabalhar com margens mais apertadas ou adiar decisões de compra para evitar sobreexposição financeira.
Para postos com menor respaldo, o desafio é maior. Um aumento no valor de reposição pode obrigar a destinar mais recursos ao estoque ou, na falta disso, reduzir o volume de compra, com o risco de afetar a continuidade do abastecimento.
Por sua vez, em mercados onde existem mecanismos de controle ou ajustes diferidos de preços, a pressão pode se transferir para a rentabilidade. Os custos aumentam enquanto a capacidade de repasse é parcial, o que exige uma gestão mais cuidadosa do negócio.
Da AIGLP alertaram que intervir no preço de uma commodity global pode gerar efeitos indesejados. Indicaram que, em momentos de pressão internacional, alterar os sinais econômicos pode afetar os incentivos para importar, investir em logística e sustentar o abastecimento.
Para os postos que combinam GNV ou GLP com outros segmentos, a diversificação pode ajudar a amortecer esses movimentos. No entanto, quando o gás tem peso relevante no faturamento, a gestão financeira ganha maior importância.
Nesse contexto, decisões como ajustar níveis de estoque, monitorar o giro e negociar condições com fornecedores passam a ser determinantes para sustentar a operação sem comprometer a liquidez.
Fonte: Surtidores Latam – Sol Bermo
