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O Governo transforma o Programa Hogar com reembolsos via carteira digital e impulsiona o GLP automotivo como alternativa econômica à gasolina e ao diesel
O Governo nacional analisa os detalhes da implementação de uma transformação no Programa Hogar, para que o benefício chegue de forma direta aos usuários de gás liquefeito de petróleo (GLP) em botijões. Por meio de um novo esquema de subsídios focalizados, o auxílio será mantido para quatro milhões de lares em todo o país, mas com uma inovação no método de pagamento.
A Secretaria de Energia trabalha em um modelo que permitirá um reembolso imediato no momento da compra, utilizando carteiras digitais. A medida busca garantir que o recurso financeiro tenha impacto direto no orçamento das famílias que não possuem acesso à rede de gás natural, além de melhorar a transparência e a eficiência da política social.
A intenção dessa mudança é assegurar que o benefício seja plenamente percebido pelo consumidor e se adapte a um mercado com preços livres. “A ideia é um subsídio da ANSES, mas faremos um reembolso imediato no momento da compra por meio das carteiras digitais; isso vai melhorar muito a eficiência do sistema e tornar visível a existência do subsídio”, foi explicado.
Dessa forma, busca-se que o apoio estatal acompanhe a realidade dos preços de mercado, que desde maio de 2025 passaram a ser definidos pela concorrência, e não mais por tetos fixos impostos pelo governo. A medida tem forte impacto social, já que se estima que 18 milhões de pessoas não têm acesso ao gás natural por rede.
Desregulamentação do mercado sem preços máximos
Essa mudança na assistência social ocorre dentro de um processo de desregulamentação que eliminou os preços máximos obrigatórios, permitindo que a oferta e a demanda organizem o setor. Segundo dados oficiais, a liberalização não provocou aumentos descontrolados nos preços dos botijões; ao contrário, a concorrência incentivou maior disponibilidade de produto e mais previsibilidade para as empresas.
O objetivo do governo é se afastar da fixação de preços e concentrar sua atuação exclusivamente na fiscalização das normas técnicas de segurança, garantindo que os mais de 20 milhões de botijões em circulação atendam aos padrões de qualidade.
Na Argentina, mais de um terço da população depende do gás envasado para cozinhar ou se aquecer, realidade que impacta especialmente o norte do país e as áreas rurais. “A Argentina é um dos principais produtores de gás natural, mas uma parte significativa dos lares não tem acesso a esse serviço”, destaca-se, reforçando a importância do GLP como complemento essencial do sistema energético.
Com esse novo modelo, o governo busca simplificar a burocracia para fracionadores e distribuidores, permitindo que o mercado cresça conforme sua capacidade real e que os consumidores tenham acesso a um abastecimento fluido, sem as distorções geradas pelos antigos sistemas de cotas.
GLP também avança no transporte
Além do uso doméstico, a Secretaria de Energia também impulsiona o desenvolvimento do GLP automotivo como uma alternativa econômica e ambientalmente mais eficiente em relação à gasolina e ao diesel. Essa opção é especialmente estratégica para o interior do país, onde a instalação de postos de abastecimento de GLP custa cerca de 10% do valor necessário para um posto de GNV.
Para o motorista, o benefício é direto: o combustível pode custar até 40% menos que a gasolina, e a conversão do veículo é significativamente mais barata do que a do gás natural, além de oferecer autonomia até quatro vezes maior com um único tanque.
O aproveitamento dos recursos próprios é um dos eixos centrais da atual política para atrair investimentos privados. “O papel do Estado é configurar e definir um marco institucional, regulatório, legal e macroeconômico estável que gere confiança ao setor privado para investir, produzir e comercializar”, destaca-se.
Dentro dessa lógica de mercado mais livre, o governo trabalha em um projeto de lei de estabilidade fiscal por dez anos, que traga previsibilidade para investidores interessados em frotas de transporte e infraestrutura de abastecimento com esse combustível alternativo.
Diversificar os usos com Vaca Muerta
Do lado empresarial, há consenso de que o país possui um excedente de produção que deve ser aproveitado internamente antes de ser exportado. O desafio será não apenas consolidar o mercado atual, mas também expandir novos usos do GLP, como no transporte rodoviário, no setor náutico e na geração de energia elétrica.
Essas alternativas podem reduzir a importação de diesel e gerar economia para os consumidores, com o objetivo de que o GLP deixe de ser visto apenas como o combustível do botijão e passe a se tornar um vetor de economia de divisas para a Argentina.
Esse movimento é impulsionado pelo crescimento de Vaca Muerta, que já gera volumes recordes para exportação e garante a disponibilidade de produto no mercado interno. Com uma produção projetada para alcançar 3,4 milhões de toneladas anuais até o final de 2026, a Argentina reúne condições para oferecer energia mais acessível tanto às famílias mais vulneráveis quanto ao setor de transporte.
