Imagem: Diario de Cuba
A operação teria sido autorizada por meio de licenças emitidas por Washington que já permitem a venda de gasolina a empresas não estatais da ilha.
O navio de gás liquefeito de petróleo (GLP) Eugenia Gas, que navega sob bandeira de Belize e opera arrendado pelas autoridades de Cuba, atracou no domingo, 1º de março, no terminal José, da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA).
A operação, sobre a qual não existem versões oficiais, é a primeira envolvendo um navio cubano desde o final de 2025, quando o embargo petrolífero imposto pelos Estados Unidos ao regime de Nicolás Maduro levou as embarcações da ilha a deixar de carregar combustível naquele país.
De acordo com informações fornecidas por Jorge Piñón, pesquisador associado do Instituto de Energia da Universidade do Texas, o Eugenia Gas chegou ao porto petrolífero venezuelano no sábado passado. O DIARIO DE CUBA confirmou que o navio chegou ao local procedente de Barranquilla, na Colômbia.
“O Eugenia Gas tem navegado pelo Caribe nos últimos dois meses em busca de um porto de abastecimento onde possa carregar GLP, utilizado na ilha como combustível para cozinhar. É possível que José, na Venezuela, seja o porto onde será carregado o combustível que Cuba necessita com urgência”, afirmou.
Para Piñón, ainda é uma grande incógnita quem autorizou e pagou pela compra. Na semana passada, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) dos Estados Unidos anunciou que poderia implementar uma política favorável de licenças para autorizar a revenda de petróleo de origem venezuelana a Cuba, desde que seja destinado a apoiar o povo cubano e exclua entidades do regime da ilha.
“Até que o documento de titularidade (manifesto de carga ou bill of lading) seja divulgado, não saberemos quem são o carregador, o consignatário e o transportador que estão solicitando autorização para a revenda de petróleo de origem venezuelana para uso em Cuba, em conformidade com as recentes sanções dos Estados Unidos”, comentou Piñón ao DIARIO DE CUBA.
Ele ressaltou, no entanto, que “o mais importante é onde o Eugenia Gas irá descarregar e quem irá distribuir e vender o gás. As licenças recentes proíbem que esses produtos sejam comercializados com empresas petrolíferas estatais cubanas, como CUPET, CUBAMETALES e CIMEX. Trata-se de uma tarefa difícil, já que essas empresas constituem o monopólio estatal que controla os ativos logísticos e a distribuição de combustíveis em Cuba”.
Piñón lembrou ainda que “o último navio-tanque que, segundo relatórios, chegou a Matanzas em 8 de dezembro de 2025, procedente do terminal venezuelano de José, foi o navio fantasma Songa (Neptune 6), transportando 598.000 barris de petróleo venezuelano Merey 16”.
Essa operação, que apenas os Estados Unidos poderiam autorizar, faria parte das permissões já concedidas por Washington para permitir a venda de gasolina a empresas não estatais cubanas, enquanto o país mantém ameaças de impor tarifas a nações que forneçam petróleo a Havana.
Nesse contexto, o Sea Horse, que navega rumo a Cuba com cerca de 200.000 barris de petróleo russo e que interrompeu sua rota na semana passada, “deriva lentamente para oeste no Atlântico, a 1.463 milhas náuticas da costa norte de Cuba, a uma velocidade mínima de 0,8 nós”, indicou Piñón.
“O último petroleiro que, segundo relatórios, transportou 330.000 barris de petróleo russo para Cuba e chegou em 23 de dezembro de 2025 foi o Jasper, com bandeira de Camarões e sancionado pela União Europeia, que realizou descarga em dois portos: Matanzas e Santiago de Cuba.”
“Se assim decidir, os Estados Unidos estão bem posicionados para interceptar qualquer petroleiro que transporte petróleo bruto ou derivados destinados a Cuba que viole as normas ou tente contornar as sanções recentemente impostas por Washington”, afirmou.
Segundo Piñón, há sete navios da Guarda Costeira dos Estados Unidos e embarcações de resposta rápida posicionados a “24 a 36 horas das águas territoriais da costa norte de Cuba, prontos para interceptar qualquer petroleiro que opere à margem da lei”.
Entre eles estão o USCGC Vincent Danz, USCGC John Patterson, USCGC Spencer, USCGC Richard Dixon, USCGC Stone, além das embarcações USCG SAR 26227 e USCG SAR 20313.
Fonte: Diario de Cuba
