O ministro de Minas e Energia da Colômbia, Edwin Palma, declarou que a Ecopetrol não poderia importar gás natural da Venezuela porque não possui licença da Oficina de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), do governo dos Estados Unidos.

Segundo Palma, nas conversas com autoridades venezuelanas foi indicado que qualquer operação de venda de gás natural ou gás liquefeito de petróleo (GLP) da Venezuela para a Colômbia exige uma autorização formal da OFAC, condição que, até o momento, não estaria cumprida.

Durante um evento em Barichara, Santander, Edwin Palma explicou que o interesse do Governo nacional em importar gás e GLP da Venezuela estaria condicionado a esse requisito externo.

O ministro afirmou: “Infelizmente, parece que não poderá ser por meio da Ecopetrol que realizaremos essa transação. O que nos dizem na Venezuela é que é necessária uma licença por parte do Governo dos Estados Unidos. E tramitar uma nova licença seria mais complexo e demorado, e para nós o tempo é importante”.

De acordo com Palma, a prioridade da atual administração é buscar soluções práticas e ágeis para atender à demanda interna de gás.

O ministro indicou que serão exploradas alternativas de importação, tanto de gás natural quanto de GLP, para enfrentar desafios de abastecimento. Nesse contexto, o governo avaliaria opções que permitam reduzir riscos de desabastecimento e responder às necessidades do mercado interno.

A declaração de Palma ocorre após uma reunião realizada em Caracas com Delcy Rodríguez, líder do regime venezuelano, no Palácio de Miraflores. No encontro, as autoridades de ambos os países teriam discutido a agenda de cooperação energética bilateral, com ênfase no fornecimento de gás natural.

Segundo as informações apresentadas, a reativação do Gasoduto Transcaribenho Antonio Ricaurte — infraestrutura binacional construída em 2007 e atualmente sem operação regular — foi um dos temas abordados.

De acordo com comunicados oficiais, a infraestrutura estaria disponível para operar do lado venezuelano, enquanto, em território colombiano, exigiria investimentos e obras de adequação.

Entre as opções mencionadas está o possível envio de pessoal da PDVSA para colaborar na reabilitação do gasoduto, o que implicaria trâmites de autorizações especiais, bem como a alternativa de contratar obras na Colômbia, com investimento estimado em 60 milhões de dólares e prazo de execução superior a seis meses.

Segundo as autoridades, a normativa dos Estados Unidos mantém restrições sobre transações no setor energético venezuelano, o que obrigaria empresas e governos interessados nesse tipo de operação a solicitar autorizações específicas junto à OFAC.

O processo para obtenção de uma nova licença foi descrito como complexo e demorado, e as autoridades colombianas destacaram que o fator tempo será determinante na definição da estratégia de abastecimento energético.

O debate ocorre em um contexto de déficit projetado de gás na Colômbia, que poderia atingir até 20% da demanda nacional neste ano, segundo dados apresentados em encontros setoriais. Diante desse cenário, o Ministério de Minas e Energia anunciou investimentos de 51,675 bilhões de pesos em 15 projetos de gás em Santander, com o objetivo de beneficiar mais de 19.200 lares, especialmente em áreas rurais, por meio do acesso a energias mais limpas e seguras.

Em suas intervenções públicas, Palma destacou o impacto social e de gênero desses programas, ressaltando a importância de melhorar as condições de vida de mulheres e famílias que historicamente dependem da lenha para cozinhar. Declarou: “Cozinhar com lenha não apenas lhes tira tempo, mas também afeta sua saúde. Quando retiramos uma mulher da lenha, estamos liberando horas de trabalho de cuidado não remunerado, protegendo seu bem-estar e avançando na equidade real”.

Por fim, o ministro Edwin Palma afirmou que “não há risco de desabastecimento. Está garantido. Ampliamos a oferta e há muitos projetos em andamento. Mas o melhor, o mais barato e o mais prático é trazer essa molécula da Venezuela”.

Fonte: InfoBAE