Imagem: El Diario
A queda na produção de gás natural não afetou apenas as receitas, mas também a produção de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP). Por esse motivo, a Fundação Jubileo alerta para a importação iminente do produto a partir deste ano.
O analista do setor de hidrocarbonetos da Fundação Jubileo, Raúl Velásquez, em entrevista à Unitel, alertou que a Bolívia está cada vez mais próxima de importar GLP, pelo menos até o fim do ano, enquanto a importação de gás natural poderia ocorrer a partir de 2028.
“Cai a produção de gás, cai a de GLP”, afirmou o especialista, ao indicar os anos em que a Bolívia começaria a passar de um país produtor para um importador de energia: 2025 para o GLP e 2028 para o gás natural.
Apesar dos projetos hidrocarboníferos em desenvolvimento no país, conduzidos pela Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), e do anúncio de reservas significativas em Mayaya, os projetos demandam tempo de exploração, tornando difícil reverter a queda da produção, avaliou.
No ano passado, o Governo eliminou o subsídio à gasolina e ao diesel por meio do Decreto Supremo nº 5503 e também elevou o preço do gás natural nos postos de combustíveis, mas manteve o preço do GLP e do gás domiciliar.
Segundo Velásquez, importar GLP a preços internacionais, em torno de 140 bolivianos, e vendê-lo no mercado interno por 22,5 bolivianos o botijão de 10 quilos, comprometeria as finanças do Governo, ainda mais diante da situação fiscal delicada do país.
Por isso, ele defende que a eliminação do subsídio ao GLP seja objeto de um debate nacional, incluindo também o gás natural.
Na semana passada, o ministro de Hidrocarbonetos e Energia, Mauricio Medinaceli, em entrevista à imprensa, assegurou que o preço do botijão não seria alterado, uma vez que o produto é utilizado por famílias de baixa renda.
A declaração foi feita em meio a um cenário de especulação e aumento da demanda pelo produto, que provocou filas, bloqueios e protestos. As autoridades nacionais informaram que, com a eliminação do contrabando de diesel, os contrabandistas passaram a ver na venda de GLP subsidiado para mercados vizinhos um novo negócio, já que o preço nesses países é significativamente mais elevado.
Eliminação do subsídio
O ex-ministro de Hidrocarbonetos, Álvaro Ríos, propôs a retirada “em breve” do subsídio aos botijões de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) como medida para conter o aumento do contrabando do produto.
“A solução, e que devemos implementar rapidamente, é retirar o subsídio ao GLP, mas eu proporia eliminá-lo e, ao mesmo tempo, focalizá-lo. (…) Neste cenário, começaremos a importar e o produto voltará a sair pelas fronteiras; isso é um absurdo econômico para o país”, afirmou o ex-ministro no programa La Tarde en Directo, da rádio Erbol.
Ríos destacou que a Bolívia deve se preparar para importar GLP. Segundo dados de sua consultoria, neste ano o país precisará importar, em média, 80 toneladas métricas diárias, volume que deverá dobrar no próximo ano.
Ele indicou ainda que as máfias que atuavam no contrabando de diesel e gasolina migraram para o contrabando de botijões de GLP, devido à diferença de preços: na Bolívia, o produto é vendido a Bs 22,5, enquanto em países vizinhos, especialmente no Peru, o valor chega a Bs 120.
Diante desse cenário, o ex-ministro instou o Governo a militarizar determinados pontos de fronteira, liberar a importação de GLP e, como medida central, eliminar o subsídio ao produto.
Desde o início do ano, o país registra filas em busca de botijões de GLP, em razão da escassez do produto, em meio a bloqueios promovidos por setores sociais.
Fonte: El Diario
