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O governo afirmou que a distribuição dos botijões continua, mas que a escassez no mercado interno tem outras causas — uma delas é o contrabando.

Com preço de 22,5 Bs, os cilindros de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) na Bolívia continuam subsidiados, apesar do aumento dos demais combustíveis. No entanto, nas últimas semanas, famílias de várias regiões denunciaram que o combustível já não chega às suas casas e, como consequência, formaram-se filas em diversos pontos das cidades. Sobre o tema, o governo afirmou que a distribuição dos botijões se mantém, mas que a escassez no mercado interno tem outras causas, uma delas sendo o contrabando.

Diante disso, surgem várias perguntas: qual é o preço dos botijões de GLP e da recarga de gás nos países vizinhos? E por que é tão atrativo o armazenamento e o desvio do produto?

Na Bolívia, os botijões distribuídos pela Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) têm um custo de 350 bolivianos para a compra, enquanto a recarga custa 22,5 bolivianos.

Peru

No Peru, os botijões azuis — típicos daquele país — custam 150 soles (450 bolivianos) e a recarga custa 50 soles (Bs 150), segundo um relatório da rede Bolivisión. O canal visitou o mercado fronteiriço e confirmou que os botijões bolivianos variam em torno de 180 soles (540 Bs), mas a recarga do produto faz a maior diferença, pois varia entre 25 e 35 soles (de 75 a 105 bolivianos).

Argentina

Na Argentina, segundo um relatório do Chequeado publicado em junho de 2025, o preço da recarga de um botijão subiu para 17 mil pesos argentinos (99,18 Bs) no mercado. No entanto, um reporte da Agência Fides indica que, na fronteira Villazón – La Quiaca, o GLP boliviano chega a custar entre 150 e 200 bolivianos.

Brasil

O Brasil trabalha com faixas de preços atualizadas pela estatal do país, a Petrobras. Segundo publicação de 3 de janeiro deste ano, o custo da recarga do gás é de 109,68 reais (164,52 Bs).

Além disso, uma boliviana que vive no país vizinho contou ao Visión 360 que, embora esse seja o preço estabelecido nos locais de venda do combustível, há um aumento com o transporte — ou seja, quando o botijão chega à porta de casa, o GLP pode custar mais de 120 reais. Além disso, a compra do botijão (sem conteúdo) pode chegar a 150 reais (225 Bs).

Bolívia

Em um contexto em que foram registradas filas para adquirir GLP, a vice-ministra de Industrialização, Tatiana Genuzio, lembrou que o governo continua subsidiando esse combustível e explicou que a sobredemanda do produto se deve à disseminação de conteúdo falso sobre desabastecimento, ao bloqueio que dificulta o trânsito de caminhões distribuidores e ao armazenamento e desvio do produto.

A Agência Nacional de Hidrocarbonetos informou que, a partir de terça-feira, 6 de janeiro, foram realizadas operações de fiscalização. Em San Borja, foi identificada uma residência onde eram armazenados 291 botijões de GLP, comercializados entre 38 e 50 Bs.

Posteriormente, em 7 de janeiro, na cidade de Potosí, um veículo particular transportava 11 botijões de GLP “sem respaldo documental nem justificativa técnica sobre seu destino, situação que contraria a normativa aplicável ao transporte deste produto regulado”, afirma um comunicado da estatal. Os botijões foram apreendidos.

Em La Paz, na região de Senkata, foi interceptado um veículo que transportava 15 botijões de GLP sem documentação que comprovasse sua origem ou destino dentro dos canais autorizados. Paralelamente, foi realizada a “retenção preventiva” de cinco botijões de GLP que estavam armazenados em um estabelecimento comercial localizado nas proximidades do terminal provincial da cidade de El Alto.

Fonte: Vision 360