Fonte: Reporteros en Movimiento

O risco de novas tragédias envolvendo o manuseio e o armazenamento de gás liquefeito de petróleo (GLP) voltou a acender o alerta no Estado do México e na região metropolitana. Diante disso, há pedidos para a realização de operações de fiscalização das instalações de GLP, com o objetivo de identificar estabelecimentos irregulares e interditar aqueles que não cumpram as normas de segurança.

O deputado federal Iván Millán, representante do distrito 21, com sede em Amecameca, e integrante da Comissão de Desenvolvimento Urbano, afirmou, em entrevista a este veículo de comunicação, que as autoridades devem verificar as condições de operação desses estabelecimentos e adotar medidas contra aqueles que representem perigo para a população.

O parlamentar sustentou que aproximadamente 80% das instalações de GLP seriam irregulares, embora esse percentual corresponda à sua declaração e não a um levantamento oficial independente verificado até o momento.

O alerta ganha relevância após diferentes acidentes relacionados ao transporte e ao manuseio de combustíveis, entre eles a explosão de um caminhão-tanque na Ponte da Concórdia, em Iztapalapa, em setembro de 2025, e a explosão de dois caminhões-tanque em uma instalação de GLP no bairro La Loma, em Coacalco, ocorrida na terça-feira, 13 de outubro deste ano.

Instalações de GLP próximas a residências e escolas representam uma ameaça constante

Millán alertou que, durante suas visitas à região e por meio de vídeos captados por drones, tomou conhecimento de estabelecimentos que, em sua avaliação, apresentam condições operacionais inadequadas.

Ele mencionou, inclusive, a existência de uma instalação de GLP localizada ao lado de uma escola e próxima a residências, situação que considera um risco para estudantes, famílias e moradores da região.

“Precisamos agir, não podemos ser omissos diante dessa situação”, afirmou, ressaltando que a fiscalização não deve se limitar aos estabelecimentos que já estiveram envolvidos em acidentes, mas também alcançar aqueles que supostamente continuam operando sem cumprir os requisitos exigidos.

O deputado explicou que o objetivo é permitir a regularização das empresas sempre que possível e, nos casos em que não atendam às exigências de segurança, proceder à interdição ou ao desmantelamento das instalações, conforme as atribuições das autoridades competentes.

Esclareceu que a intenção não é retirar o sustento econômico daqueles que trabalham legalmente nessa atividade, mas evitar que instalações inadequadas coloquem as comunidades em perigo.

Da praça de pedágio de San Marcos à explosão em Coacalco.

Os acidentes recentes demonstram a dimensão dos riscos associados ao transporte e ao manuseio de GLP em situações de emergência.

Explosões

9 de setembro de 2025: tombamento de caminhão-tanque próximo a San Marcos

Um veículo que transportava aproximadamente 15 mil litros de GLP tombou no quilômetro 39 da rodovia México-Puebla, próximo à praça de pedágio de San Marcos, na região de Ixtapaluca.

A emergência obrigou as autoridades a interditar o trânsito e realizar operações controladas para evitar uma explosão.

10 de setembro de 2025: tragédia na Ponte da Concórdia

O tombamento e a explosão de um caminhão-tanque de GLP em Iztapalapa provocaram um incêndio de grandes proporções, deixando dezenas de feridos e veículos destruídos pelo fogo.

O balanço divulgado posteriormente chegou a 32 mortos e 63 feridos. A investigação atribuiu o acidente à falta de habilidade do motorista e ao excesso de velocidade.

13 de outubro de 2026: dois caminhões-tanque explodem em Coacalco

Dois caminhões-tanque explodiram e pegaram fogo em uma instalação de GLP no bairro La Loma.

Segundo os primeiros relatos, um dos veículos teria apresentado uma falha e um vazamento de gás que atingiu o segundo caminhão-tanque. A emergência provocou temor entre os moradores e mobilizou as equipes de resgate.

20 de março de 2026: explosão de gás em uma residência de Coacalco

Outra explosão, desta vez em uma casa no bairro La Magdalena Huizachitla, causou danos estruturais em residências próximas e atingiu veículos. Trata-se de um episódio distinto do incêndio registrado na instalação de GLP em outubro.

Muitas vezes, a principal preocupação dos moradores próximos a esse tipo de estabelecimento é o risco para as famílias que vivem nas imediações.

Em grande parte dos casos, os moradores passam a exigir o fechamento definitivo da instalação, diante do temor de que ocorra uma nova emergência.

Municípios da região leste também estarão sob fiscalização

O deputado afirmou que as inspeções não devem se concentrar exclusivamente em Amecameca ou nos municípios que integram seu distrito eleitoral, mas se estender a toda a região onde existam suspeitas de estabelecimentos operando irregularmente.

Entre as localidades mencionadas estão Chalco, Ixtapaluca e Ozumba, além de outros municípios onde sejam identificados possíveis descumprimentos das normas.

Explicou que as primeiras inspeções devem envolver as autoridades municipais, especialmente os órgãos de Desenvolvimento Urbano, sem desconsiderar as competências das instâncias estaduais e federais.

Segundo Millán, já foi apresentado um requerimento à Câmara dos Deputados para que seja analisada a situação das instalações de GLP. Ele afirmou que a proposta recebeu o apoio da maioria dos parlamentares e que se pretende acompanhar o andamento do processo por meio da comissão competente.

O deputado acrescentou que foi convidado a acompanhar as ações de fiscalização e garantiu que estará presente para verificar se elas serão efetivamente realizadas.

“O que importa é que a lei seja cumprida, porque estamos aqui para servir ao cidadão, e não para nos servir dele”, declarou.

Interdição dos estabelecimentos que não cumprirem a legislação

O parlamentar insistiu que as empresas que não atendam às condições necessárias para operar não devem permanecer em funcionamento por razões econômicas, políticas ou por eventuais vínculos com autoridades públicas.

Sustentou que, quando forem identificadas irregularidades, as autoridades deverão determinar as medidas cabíveis, que poderão incluir a suspensão das atividades, a interdição ou o desmantelamento das instalações, conforme a gravidade das infrações e as disposições legais aplicáveis.

Entretanto, até esta quinta-feira, 15 de outubro, não havia informações confirmadas sobre uma data específica para o início da operação, o número de estabelecimentos que serão inspecionados ou os órgãos que participarão formalmente das ações.

Dessa forma, a abrangência das fiscalizações e as eventuais interdições dependerão dos anúncios oficiais e dos resultados das inspeções.

A principal preocupação, concluiu o deputado, é impedir que uma instalação que represente perigo continue operando até que ocorra uma tragédia.

O desafio será transformar os anúncios em fiscalizações efetivas, com resultados divulgados publicamente e aplicação de sanções quando cabíveis.

Fonte: Reporteros en Movimiento