As filas para adquirir botijões de gás refletem uma crise: parlamentares pedem fiscalização mais rigorosa contra o contrabando.
Diante da escassez de botijões de gás e da elevada demanda registrada em algumas regiões do país, parlamentares solicitaram, nesta terça-feira, 6 de outubro, que o governo adote medidas imediatas. Segundo eles, essas ações devem se concentrar na solução das dificuldades enfrentadas pela população e na redução do contrabando de botijões, para evitar que o produto seja levado para fora do país.
Preocupações dos parlamentares
O deputado Armin Lluta manifestou preocupação com a situação. Ele afirmou que, durante seu trajeto de Villa Fátima até a Assembleia Legislativa, pôde constatar a existência de filas muito longas de pessoas em busca de botijões de gás. A situação tem provocado inclusive conflitos entre a população na tentativa de conseguir o combustível. Nesse sentido, pediu soluções urgentes.
“É lamentável. Já existem bloqueios com botijões de gás, e isso é uma grande preocupação. Acredito que o governo não está dando a devida atenção a esse problema. Deveria deixar de fazer política e se preocupar em resolver essa situação que a população está enfrentando”, declarou o parlamentar.
No entanto, Lluta considera que a eliminação do subsídio a esse combustível não deve ser a solução adotada pelo governo. Embora, segundo sua avaliação, essa medida pudesse aliviar as contas públicas, o país não estaria preparado para enfrentá-la. Em vez disso, defendeu processos de retirada gradual dos subsídios, de modo a minimizar os impactos sobre a população.
Fiscalização do comércio de botijões
Por sua vez, a deputada Claudia Bilbao solicitou à Agência Nacional de Hidrocarbonetos (ANH) que intensifique a fiscalização sobre o comércio de botijões de gás. Ela afirmou que, em localidades como Desaguadero, um botijão chega a custar até 200 bolivianos, enquanto nas áreas urbanas o produto também é comercializado com sobrepreço.
“É preciso agir com rigor contra essas pessoas que praticam contrabando. Não importa se são dez botijões, elas estão prejudicando a Bolívia e cometendo um crime”, declarou a deputada.
Aumento das filas para comprar GLP
As filas para adquirir botijões de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) se intensificaram nos últimos dias em diferentes regiões de La Paz. Moradores denunciaram que os caminhões de distribuição deixaram de chegar com a regularidade habitual.
Na segunda-feira, foram registrados inclusive bloqueios na Avenida Sucre e no Cruce de Villas, enquanto comerciantes e famílias relataram a necessidade de se deslocar para outras regiões em busca do produto.
Dificuldades decorrentes do aumento do preço do diesel
O problema coincide com as dificuldades relatadas pelos distribuidores de GLP após o aumento do preço do diesel, que elevou seus custos operacionais e de transporte.
No final de setembro, o setor havia declarado estado de emergência e solicitado um reajuste na remuneração pelo serviço de distribuição. Embora as atividades tenham sido retomadas posteriormente, após um acordo com o governo, nos primeiros dias de outubro continuaram os relatos de irregularidades na chegada dos caminhões.
O preço oficial da recarga de um botijão permanece em 22,50 bolivianos. Portanto, as reclamações atuais estão relacionadas principalmente às dificuldades de abastecimento, e não a uma alteração no preço do combustível.
