Fonte: El Gas Noticias

Essa foi a mensagem central da conferência do diretor da associação mundial de GLP, que participou do 8º Congresso Internacional do GLP – GASNOVA “Energia em crescimento”.

Durante o segundo dia do 8º Congresso Internacional do GLP, organizado pela GASNOVA, James Rockall, CEO da World LPG Association (WLGA), enfatizou que um marco regulatório baseado na livre iniciativa, em preços funcionais e em uma concorrência efetiva são os motores essenciais, em qualquer país, para transformar e garantir o abastecimento de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) aos setores residencial, comercial e industrial.

Em sua conferência “Tornando os mercados de GLP funcionais”, Rockall destacou que as políticas públicas devem se concentrar em um desenho de mercado que assegure ao setor privado regras adequadas para investir e operar de maneira eficiente.

O líder da associação internacional desmistificou a eficácia dos subsídios universais, argumentando que um preço artificialmente baixo inibe as decisões de investimento privado em todos os elos da cadeia de abastecimento, desde a produção e importação até o enchimento e o transporte. “Um preço baixo demais para sustentar o abastecimento é irrelevante se o botijão não estiver disponível”, afirmou Rockall, explicando que a disposição da indústria para operar desaparece quando a margem de retorno se torna inviável, o que acaba prejudicando diretamente o consumidor final. Os subsídios devem ser destinados diretamente aos usuários que realmente necessitam deles, e não ao produto.

As evidências internacionais apresentadas pela WLGA, respaldadas por estudos do Banco Mundial, demonstram que os subsídios universais concedidos a todos os usuários tendem a ser capturados de forma desproporcional por usuários comerciais ou famílias de maior renda, abrindo espaço para contrabando, escassez e mercado ilegal. Como referência na América Latina, Rockall destacou a evolução regulatória do Brasil, que, após enfrentar o peso fiscal de subsídios universais insustentáveis, implementou o programa “Gás do Povo”. Esse modelo é apontado como um caso de sucesso por direcionar o apoio estatal de forma direta e exclusiva às famílias vulneráveis, separando efetivamente a política de acesso social da política de formação de preços.

Ao analisar o panorama energético colombiano, o CEO da WLGA comentou que o país conta com um mercado amplamente livre e funcional, que não requer intervenções disruptivas. Destacou que, embora a Ecopetrol tenha seu preço de venda regulado, atualmente atende apenas entre 30% e 40% da demanda. O volume restante provém de importações a preços de mercado, que fomentam um ecossistema altamente competitivo. É nesse elo que as empresas assumiram um papel logístico e comercial de destaque, garantindo o acesso ao GLP em 98% do território colombiano.

O marco regulatório ideal, segundo a visão global da WLGA, requer uma regulação ativa, porém objetiva, orientada para resultados concretos: segurança no manuseio do produto, promoção legal da livre concorrência e proteção dos usuários por meio de padrões previsíveis. Proteger as pessoas, e não distorcer os preços, é o princípio fundamental para que o GLP mantenha sua condição de energia acessível, segura e sustentável ao longo do tempo.

Por fim, Rockall convidou a indústria latino-americana de GLP a agir agora e continuar unindo esforços de forma coordenada para construir resiliência diante da incerteza global. Esses debates regulatórios e operacionais sobre segurança e abastecimento continuarão pautando a agenda mundial do setor durante a Liquid Gas Week, encontro que será realizado em Istambul, de 12 a 16 de outubro de 2026.

Fonte: El Gas Noticias