Fonte: Listin Diario

Carlos José Martí, CEO do Grupo Martí e presidente executivo da Tropigas, empresa que se apresenta como a maior distribuidora de gás propano da República Dominicana, afirma que o país não reúne as condições para adotar uma composição de GLP com 90% de propano. Segundo ele, deve ser mantida a mistura atual, com 25% a 30% de butano, pois, caso contrário, “milhares de cilindros explodiriam diariamente”.

O empresário sustenta que alterar a fórmula da mistura de propano e butano para elevar a participação do propano a 90% representaria um fator de alto risco e colocaria a população em uma situação de grande perigo.

Ao abordar a questão da segurança, Martí destacou que o parque de cilindros de GLP de 25 a 50 libras encontra-se em más condições de conservação e que muitos recipientes são reparados de forma artesanal em oficinas improvisadas nos bairros. Segundo ele, o aumento da pressão provocado por uma maior proporção de propano resultaria em um número elevado de explosões.

O gás propano possui uma pressão aproximada de 250 PSI, enquanto o butano opera em torno de 100 PSI. A combinação dos dois gases reduz a pressão da mistura, tornando seu armazenamento e utilização mais seguros.

Na mesma linha, o diretor de Serviços Técnicos da Tropigas, Francisco Camino, afirmou que, nas condições atuais da República Dominicana, a adoção de uma mistura com maior teor de propano não é viável. Segundo ele, o propano armazenado gera maior pressão e o parque de cilindros do país encontra-se relativamente deteriorado.

Camino observou ainda que são frequentes os casos de pessoas que pintam os cilindros de GLP em suas residências apenas para disfarçar o estado de deterioração dos recipientes.

Segundo o especialista, quanto maior a pressão, maior também o risco de acidentes.

Recentemente, o Instituto de Energia da Universidade Autônoma de Santo Domingo (IEUASD) divulgou um estudo indicando que o preço do GLP chega ao consumidor com uma sobrevalorização de aproximadamente RD$ 30, em razão da metodologia utilizada pelo Ministério da Indústria, Comércio e MPMEs (MICM) para calcular semanalmente o Preço de Paridade de Importação (PPI). Entre as recomendações apresentadas, o instituto propôs alterar a composição do GLP, passando da mistura atual de 70% de propano e 30% de butano para uma composição com 90% de propano.

Sobre essa proposta, Camino explicou:

“O propano é armazenado sob uma pressão maior do que a mistura atual. O problema é que o parque de cilindros do nosso país encontra-se relativamente deteriorado. Como esses recipientes pertencem aos consumidores e ficam nas residências, muitas pessoas os pintam para esconder defeitos que nem sempre são visíveis. Se já houver falhas na pressão atual, imagine o que poderia acontecer caso essa pressão aumentasse.”

O especialista acrescentou que, além da pressão de armazenamento, deve-se considerar também a pressão com que o GLP é envasado nos cilindros. Segundo ele, na Tropigas os níveis de risco permanecem abaixo dos observados no restante do mercado, registrando índices de incidentes praticamente nulos.

Camino ressaltou ainda que, no caso do GLP, tanto a pressão quanto a temperatura ambiente são fatores fundamentais para a segurança da operação.

Menor preço

Analistas consideraram viável a proposta do IEUASD, argumentando que ela poderia reduzir o preço do GLP pago pelos consumidores.

Na República Dominicana, o GLP comercializado é composto por uma mistura de 70% de propano e 30% de butano. Embora esse combustível esteja sujeito apenas ao imposto ad valorem de 16%, instituído pela Reforma Fiscal nº 495-06, além das cobranças destinadas ao meio ambiente e ao programa Bonogás, o IEUASD sustenta que o GLP é vendido cerca de 30% acima do preço que deveria ser praticado, em razão da metodologia utilizada para calcular o Preço de Paridade de Importação (PPI).

Segundo especialistas do setor, o propano possui preço inferior ao do butano e existe regulamentação que permite sua utilização em proporções de até 90%. Contudo, observam que o desempenho energético da mistura não é o mesmo, devido ao seu menor poder calorífico.

Por essa razão, sugerem que o governo avalie essa possibilidade e realize uma campanha de conscientização para informar a população de que a chama produzida pelo propano possui coloração azul, evitando que consumidores interpretem essa característica como sinal de adulteração do combustível.

No segmento automotivo, especialistas afirmam que veículos movidos a GLP com maior teor de propano podem apresentar uma pequena perda de potência, motivo pelo qual a medida seria mais adequada para veículos leves utilizados no transporte público urbano, onde essa redução teria menor impacto.

Também destacam que seria necessário aguardar aproximadamente 45 dias, prazo correspondente ao ciclo de armazenamento e à conclusão dos contratos das empresas importadoras, para que uma eventual mudança pudesse ser implementada.

De acordo com o comunicado oficial divulgado nesta semana pelo Ministério da Indústria, Comércio e MPMEs (MICM), o preço final do galão de GLP foi fixado em RD$ 135,20.

Esse valor inclui:

  • RD$ 0,80 destinados ao programa Bonogás;
  • RD$ 13,54 referentes à Reforma Fiscal nº 495-06;
  • RD$ 11,71 correspondentes às margens do setor distribuidor;
  • RD$ 17,90 destinados ao varejo;
  • RD$ 6,68 relativos à comissão de transporte.

Ao todo, a carga tributária incidente sobre o GLP alcança RD$ 50,63.

Fonte: Listin Diario