Fonte: El Deber
O setor afirma que o problema não é a disponibilidade de GLP, mas sim a falta de botijões em condições adequadas para distribuição. A demanda aumentou entre 10% e 15% devido ao inverno, e a revenda já elevou o preço do botijão acima do valor oficial.
As empresas distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) em Santa Cruz, na Bolívia, estão operando atualmente entre 20% e 25% de sua capacidade, em razão da escassez de botijões aptos para distribuição. A situação se agravou com o aumento da demanda provocado pelo inverno.
O presidente da Câmara Nacional de Distribuidores de GLP, Fernando Segovia, afirmou que o problema não está na disponibilidade do combustível, mas na falta de recipientes. Segundo ele, o setor aguarda que a YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos) cumpra o compromisso de adquirir 100 mil novos botijões e repor 5 mil unidades por mês, de forma a normalizar o abastecimento.
Segovia explicou que a crise não é recente. Segundo ele, a insuficiente reposição de botijões é um problema que se arrasta há vários anos e se torna mais evidente durante o inverno, quando o consumo de GLP cresce entre 10% e 15%, impulsionado pelo maior uso residencial e pela demanda de atividades econômicas, como padarias, cafeterias e outros estabelecimentos que dependem do combustível.
“O que falta são botijões em boas condições. Existe uma sensação de escassez porque o frio começou e isso provoca um aumento da demanda. O GLP existe, mas as empresas não têm recipientes suficientes para distribuí-lo normalmente”, afirmou.
Segovia destacou que a redução do parque de botijões limitou severamente a capacidade operacional das distribuidoras. Como exemplo, citou empresas que anteriormente operavam com cerca de 10 mil botijões e hoje dispõem de apenas 2 mil, obrigando os caminhões a realizar viagens contínuas entre as plantas de envase e os bairros, sem conseguir cumprir os horários habituais de entrega.
Como consequência, muitos moradores deixaram de encontrar os caminhões distribuidores em suas regiões e passaram a procurar diretamente as distribuidoras, onde, em diversos casos, formam-se filas para adquirir um botijão.
Segundo o presidente da Câmara, durante o inverno são distribuídos aproximadamente 40 mil botijões por dia em Santa Cruz. Entretanto, a disponibilidade limitada de recipientes impede que essa demanda seja atendida de forma adequada.
O representante do setor lembrou que, há cerca de quatro meses, as distribuidoras e a YPFB firmaram um plano para enfrentar o déficit de recipientes. O acordo previa a compra de pelo menos 100 mil novos botijões e a entrega mensal de 5 mil unidades, visando recompor gradualmente o estoque operacional das empresas.
No entanto, Segovia afirmou que esse compromisso ainda não foi concretizado, atribuindo parte da demora às mudanças recentes na direção da estatal petrolífera.
“Estamos cobrando permanentemente o cumprimento desse acordo. A solução já está definida, mas precisa ser implementada o quanto antes, porque o inverno ainda continuará e as famílias seguirão precisando de mais GLP”, declarou.
Segovia esclareceu que a escassez está concentrada principalmente em Santa Cruz. Embora os botijões antigos representem um problema em todo o país, é nesse departamento que o déficit de recipientes atingiu níveis críticos. A situação foi agravada pelos recentes bloqueios nas estradas, que afetaram a distribuição para o interior, e pela paralisação das atividades de uma distribuidora privada devido a problemas empresariais, fatores que dificultaram ainda mais a logística de abastecimento.
O dirigente explicou também que a YPFB retira de circulação os botijões que já não atendem às condições de segurança, porém a reposição não ocorre no mesmo ritmo, provocando uma redução contínua do número de recipientes disponíveis.
A menor oferta de botijões também estimulou a revenda especulativa. Embora o preço oficial do GLP permaneça congelado em Bs 22,50 por botijão, Segovia denunciou que alguns comércios e estabelecimentos estão revendendo o produto por até Bs 30, aproveitando-se da elevada demanda.
“O preço oficial não mudou e não vai mudar. O que acontece é que alguns intermediários especulam quando há escassez do produto, e isso acaba afetando diretamente o bolso das famílias”, afirmou.
Diante desse cenário, a Câmara Nacional de Distribuidores de GLP solicitou uma reunião com autoridades distritais e regionais da YPFB para exigir o cumprimento do plano de reposição de botijões e coordenar medidas que garantam o abastecimento durante o restante do inverno.
Segovia concluiu afirmando que, enquanto não houver um aumento do número de botijões disponíveis e as plantas da YPFB não ampliarem seus horários de operação para facilitar o carregamento dos caminhões distribuidores, as dificuldades para abastecer normalmente a população de Santa Cruz continuarão.
Fonte: El Deber
