Em um contexto internacional marcado pela volatilidade nos preços do petróleo e do gás, Buenos Aires será sede do 39º Congresso da Associação Ibero-Americana de Gás Liquefeito de Petróleo (AIGLP), um dos encontros mais relevantes da indústria de GLP na região.
O congresso, organizado pela Associação Ibero-Americana de GLP, será realizado de 24 a 26 de março de 2026 no Hilton Buenos Aires e reunirá cerca de 2.000 participantes de mais de 20 países, entre empresários, autoridades governamentais, técnicos e especialistas do setor energético.
Durante os três dias, será analisado o impacto dos conflitos internacionais no mercado energético global, particularmente as tensões no Oriente Médio e a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, fatores que estão redefinindo o mapa mundial do petróleo, do gás natural e de seus derivados.
Nesse cenário, o gás liquefeito de petróleo (GLP) aparece como um combustível-chave para o abastecimento energético e para a transição rumo a matrizes energéticas mais diversificadas. O congresso também abordará os desafios regulatórios, comerciais e tecnológicos enfrentados pela indústria, bem como as oportunidades de expansão do GLP em mercados emergentes.
Paralelamente ao encontro será realizada a Feira do GLP, um espaço voltado à geração de negócios e ao networking empresarial, com a participação de mais de 70 expositores, entre fabricantes de equipamentos, fornecedores de tecnologia e empresas de serviços especializados.
A realização do congresso na Argentina representa um fato relevante para o setor energético nacional, já que a última edição organizada no país ocorreu em 2017. Com esta nova edição, o país busca reforçar seu posicionamento no mercado regional de GLP e fortalecer os vínculos comerciais com os principais atores da indústria ibero-americana.
Na Argentina, o gás liquefeito de petróleo é o segundo combustível mais utilizado, depois do gás natural. Segundo dados do censo nacional, mais de 46% da população — cerca de 20 milhões de pessoas — depende de botijões de GLP para cozinhar ou aquecer suas casas, especialmente em áreas onde não há acesso às redes de gás natural.
Em províncias como Corrientes, Chaco, Misiones, Formosa e La Rioja, mais de 80% dos lares dependem desse combustível.
Apesar dessa forte demanda interna, o país mantém um superávit na produção de GLP, que alcança aproximadamente 2,7 milhões de toneladas por ano. Grande parte desse volume é gerada a partir da separação de líquidos do gás natural e do processo de refino do petróleo.
O crescimento da produção de hidrocarbonetos em Vaca Muerta também abre novas perspectivas para ampliar a disponibilidade de GLP nos próximos anos, consolidando-o como um recurso estratégico tanto para o abastecimento interno quanto para o comércio regional.
Rumo a uma agenda energética regional
Nesse contexto, o setor de GLP na América Latina também avança na construção de uma agenda energética comum. Em novembro passado, a Câmara de Empresas Argentinas de Gás Liquefeito assinou um acordo de cooperação com associações empresariais do Brasil, Colômbia, Equador, México e Peru para compartilhar informações técnicas, regulatórias e comerciais.
O acordo busca consolidar uma rede de cooperação entre as principais associações do setor na região e promover o papel do GLP como ferramenta-chave para ampliar o acesso à energia moderna, segura e mais limpa na América Latina.
Fonte: Mejor Energía
