A suspensão temporária do fornecimento de gás natural veicular (GNV) em Lima e Callao tem provocado cenas que se repetem em vários postos da capital. As longas filas de carros que buscam abastecer antes que o combustível se esgote fizeram com que muitos motoristas considerem a ideia de usar gás liquefeito de petróleo (GLP) como uma solução rápida para continuar trabalhando.
A preocupação surge porque milhares de veículos na cidade funcionam com GNV e dependem desse hidrocarboneto para reduzir os custos diários. No entanto, especialistas do setor energético alertam que recorrer ao GLP em um veículo preparado para gás natural não é uma opção segura nem recomendável.
GNV e GLP usam sistemas completamente diferentes, afirma especialista
Em entrevista ao jornal La República, o engenheiro Tito Vílchez, decano da Faculdade de Engenharia Mecânica da UNI, explicou que os dois combustíveis utilizam sistemas completamente diferentes dentro do automóvel. Embora à primeira vista pareçam semelhantes, os equipamentos e as condições de armazenamento não são os mesmos.
“Não se deve abastecer com gás liquefeito de petróleo (GLP) um sistema que está preparado para gás natural veicular (GNV), pois existe o risco de o tanque explodir. Recomendo aos motoristas que tenham em conta que os tanques têm um volume específico e, quando se abastece com um combustível diferente, ficam expostos ao perigo.”
Vílchez detalhou que, para tentar carregar GLP em um veículo projetado para GNV, seria necessário não apenas instalar um adaptador especial, mas substituir todo o sistema. Além disso, ele alerta que o GLP, por ser um combustível armazenado na forma líquida, pode gerar uma pressão perigosa dentro de um cilindro que não foi projetado para esse tipo de combustível.
O problema se agrava porque os tanques de GLP possuem um mecanismo que interrompe o enchimento quando atingem 80% da capacidade. Já os cilindros de GNV não contam com esse sistema, o que impediria controlar o volume do combustível carregado.
Há ainda outro fator de risco. Em caso de vazamento, o comportamento do GLP é diferente do gás natural. Enquanto o GNV tende a subir e se dispersar no ar, o GLP permanece próximo ao solo. “Qualquer faísca pode provocar uma deflagração ou até mesmo uma explosão”, ressaltou o especialista.
Vazamento de gás natural em Cusco gerou emergência
O incidente de vazamento e deflagração de gás natural ocorrido em Cusco levou o governo peruano a adotar medidas extraordinárias para garantir o abastecimento energético no país. Diante dessa situação, o Ministério de Energia e Minas (Minem) anunciou um esquema provisório de racionamento, que será mantido até 14 de março, com o objetivo de evitar um possível desabastecimento em grande escala.
A emergência começou na manhã de domingo, 1º de março, quando foi reportada uma ruptura nos dutos que transportam gás e líquidos, infraestrutura operada pela Transportadora de Gas del Perú. O evento ocorreu na estação de válvulas localizada no quilômetro 43 do sistema de transporte, no distrito de Megantoni, província cusquenha de La Convención, segundo informou o Minem em comunicado oficial.
Fonte: La República
