Apesar das promessas de diálogo do governo de Claudia Sheinbaum, os distribuidores de gás denunciam que não encontraram essa abertura em meio a uma série de desafios que pressiona o setor de GLP, como a insegurança, o desabastecimento e o controle de preços.

No marco do congresso de GLP organizado pela AMEXGAS, sua presidente, Rocío Robles Serrano, reconheceu que o grande desafio é melhorar o diálogo com o governo federal, admitindo que, após um ano de administração, “tem havido um diálogo de surdos, porque parece que não falamos o mesmo idioma”.

Vale destacar que este é o primeiro congresso dos gasistas durante o governo de Sheinbaum; no entanto, não contou com a presença de nenhum alto funcionário do setor energético.

Diante dos líderes do setor, a presidente da associação afirmou que o objetivo é que, no próximo ano, consigam estabelecer um diálogo “mais honesto e que a distribuição e o usuário estejam no centro da discussão”.

No setor, a preocupação persistente é o controle de preços, estabelecido ainda no governo anterior de Andrés Manuel López Obrador. Embora alguns acordos tenham sido alcançados, como novos ajustes tarifários, participantes afirmam, nos bastidores, que essa política está “congelando” o mercado.

O tema surgiu durante uma palestra apresentada por José Antonio Meade, ex-secretário de Energia e de Fazenda nos governos de Felipe Calderón e Enrique Peña Nieto, que concordou com o setor ao afirmar que essa prática não tem sido favorável.

Ele citou como exemplo o alto percentual de pessoas que ainda utilizam lenha para cozinhar. “Isso reflete que algo estamos fazendo errado. Se continuarmos administrando preços, as pessoas tendem a investir menos e aí surgem riscos de insegurança”, acrescentou.

O ex-funcionário recomendou ao setor tentar um diálogo mais “empático” com o governo atual, ou seja, que considere sua visão sobre temas como os impactos da pobreza. Ainda assim, a própria Robles Serrano reconheceu que essa estratégia já foi tentada sem sucesso até agora.

Vale lembrar que, há apenas algumas semanas, o setor enfrentou um choque de narrativas com a Secretaria de Energia e a Pemex sobre o fornecimento de GLP — questão que, segundo os distribuidores, ainda não foi totalmente resolvida.

Fonte: La Politica Online